O IBGE deu início, nesta quarta-feira, 19 de novembro de 2025, ao maior processo seletivo temporário da sua história. Com 9.590 vagas distribuídas em 530 municípios de todos os estados brasileiros, o certame promete movimentar o mercado de trabalho de forma significativa — especialmente para quem tem ensino médio completo e busca uma porta de entrada no serviço público. As inscrições, abertas às 16h (horário de Brasília), seguem até 11 de dezembro, com taxa de R$ 38,50 paga por meio da Guia de Recolhimento da União (GRU). A organização do concurso ficou a cargo da Fundação Getulio Vargas (FGV), que já tem experiência em grandes seleções para o governo federal.
As vagas e os cargos: o que está em jogo?
São 8.480 oportunidades para Agente de Pesquisas e Mapeamento (APM) e 1.110 para Supervisor de Coleta e Qualidade (SCQ). Os salários são atrativos: R$ 2.676,24 para agentes e cerca de R$ 3.200 para supervisores — valores que, somados aos benefícios, chegam perto de R$ 4.000 mensais. O auxílio alimentação é fixo em R$ 1.175, além de auxílio transporte, pré-escolar, férias proporcionais e 13º salário. Tudo isso sem exigir experiência prévia ou curso superior — apenas o ensino médio completo.Os cargos são essenciais para a coleta de dados nacionais. Sem esses profissionais, o IBGE não conseguiria produzir as estatísticas que sustentam políticas públicas, planejamento urbano e até decisões de empresas. O presidente do IBGE, Marcio Pochmann, foi claro: "O concurso de temporários é essencial para o funcionamento das pesquisas estatísticas e geográficas do país. Ele possibilita a contratação de profissionais que garantem a coleta de dados atualizados e de alcance nacional."
Como será a seleção? Prova, local e flexibilidade
A prova objetiva está marcada para 22 de fevereiro de 2026. Inicialmente, o G1 havia informado que seria em janeiro, mas o Portal Gov.br confirmou a data em fevereiro. O resultado final deve sair em abril, segundo o site Nova Concursos. O conteúdo programático segue o padrão do último concurso temporário, com foco em Geografia, Informática e Língua Portuguesa — mas com ajustes pontuais, segundo o PCI Concursos.Um detalhe importante: o candidato pode se inscrever em ambos os cargos. "Se for aprovado nas duas funções, permanecerá nas listas e, no momento da convocação, escolherá em qual atuar", explicou Bruno Malheiros, coordenador de Recursos Humanos do IBGE, durante entrevista na sede da instituição no Rio de Janeiro. As provas ocorrerão em turnos distintos, evitando conflito.
Outra vantagem: você pode se inscrever em uma cidade e fazer a prova em outra. "É uma flexibilidade que nunca tivemos antes", afirmou Malheiros. Isso é crucial para quem mora em regiões remotas ou precisa se deslocar por motivos familiares ou profissionais. O sistema de alocação, por meio da plataforma GOV.BR, permitirá que os aprovados indiquem preferência de localidade, formação acadêmica e experiência — mas a alocação final será feita pelo IBGE com base na necessidade operacional.
Reserva de vagas e diversidade: um passo importante
Entre as 1.110 vagas para supervisores, há cotas claras: 715 para ampla concorrência, 275 para pessoas autodeclaradas pretas ou pardas (25%), 33 para indígenas (3%), 22 para quilombolas (2%) e 55 para pessoas com deficiência (5%). Essa estrutura, que reflete políticas públicas de inclusão, é uma das mais consistentes já vistas em concursos temporários do IBGE. Não é só uma questão de justiça social — é também de representatividade. Como os agentes vão percorrer bairros, vilas e comunidades remotas, é fundamental que quem coleta os dados reflita a diversidade do Brasil.
Contrato: um ano, mas pode virar três — e talvez mais
Os contratos têm duração inicial de um ano, prorrogável por até três anos — ou seja, até quatro anos no total. Isso é uma mudança em relação a concursos anteriores, que costumavam ser de apenas 12 meses. O site PCI Concursos afirma que as renovações ocorrem a cada três meses, após avaliação de desempenho. Já o Nova Concursos menciona a possibilidade de até cinco anos, mas o IBGE ainda não confirmou essa extensão. O que se sabe: os contratos são temporários, mas com estabilidade real, já que muitos agentes são recontratados ano após ano.Por que isso importa para você?
Esse concurso não é só uma oportunidade de emprego. É uma janela para entrar no sistema público de forma rápida. Enquanto concursos tradicionais levam anos para serem realizados, os temporários respondem à demanda imediata do governo. Eles são o motor das pesquisas que nos dizem quantos brasileiros estão desempregados, quantas crianças vão à escola, onde há mais fome — e onde os recursos públicos devem ir.Além disso, quem passar nesse processo tem um diferencial no currículo: experiência com coleta de dados em campo, uso de tablets e sistemas digitais, e contato direto com a população. Muitos agentes acabam sendo contratados permanentemente em outras instituições — como prefeituras, universidades e até empresas de pesquisa privada.
Quem pode se inscrever?
Qualquer pessoa com ensino médio completo, maior de 18 anos, e que não tenha impedimento legal para exercer função pública. Não é necessário ter experiência anterior. O edital não exige conhecimentos específicos de estatística — apenas capacidade de leitura, escrita e uso de tecnologia básica. A prova será aplicada em 530 municípios, então não há necessidade de viajar longas distâncias para participar.Frequently Asked Questions
Como faço para me inscrever no concurso do IBGE?
As inscrições são feitas exclusivamente pelo site da Fundação Getulio Vargas (FGV), acessível por meio do Portal Gov.br. É necessário pagar a taxa de R$ 38,50 por meio da Guia de Recolhimento da União (GRU), gerada no sistema. O prazo vai de 19 de novembro a 11 de dezembro de 2025. Não há inscrição por correio nem presencial.
Posso me inscrever em ambos os cargos? E se for aprovado nos dois?
Sim, você pode se inscrever simultaneamente para Agente e Supervisor. Se for aprovado nos dois, seu nome ficará nas duas listas de classificação. Na hora da convocação, você escolhe qual função deseja exercer. As provas são em dias e turnos diferentes, então não há conflito. Isso aumenta suas chances de ser chamado.
O trabalho é presencial? E onde vou atuar?
Sim, o trabalho é 100% presencial. Você será alocado em um dos 530 municípios participantes, conforme sua preferência declarada no sistema GOV.BR e a necessidade do IBGE. O agente percorre bairros e comunidades para aplicar questionários; o supervisor organiza e fiscaliza essas equipes. Não há trabalho remoto, mas você pode escolher fazer a prova em uma cidade diferente da que se inscreveu.
Quais são as chances de ser efetivado depois desse contrato?
Embora o contrato seja temporário, muitos agentes e supervisores são recontratados em processos subsequentes. Além disso, a experiência adquirida — especialmente em tecnologia, gestão de equipe e coleta de dados — é valorizada por prefeituras, universidades e empresas de pesquisa. Muitos acabam entrando em concursos públicos permanentes com vantagem competitiva.
Há alguma restrição para pessoas com deficiência ou de grupos étnicos?
Não há restrição — pelo contrário. O edital reserva 55 vagas para pessoas com deficiência, 275 para pretos ou pardos, 33 para indígenas e 22 para quilombolas. Essas cotas são obrigatórias e garantidas por lei. Para concorrer às cotas, é necessário apresentar documentação comprobatória durante a inscrição, conforme orientações do edital.
O que devo estudar para a prova?
O conteúdo segue o último concurso temporário: Língua Portuguesa (interpretação e gramática), Noções de Informática (Windows, Word, Excel e internet), e Geografia do Brasil (regiões, climas, população, hidrografia). A prova tem 50 questões de múltipla escolha. O IBGE não divulga um edital detalhado, mas a FGV costuma manter o mesmo padrão — recomenda-se revisar provas anteriores de 2024 e 2023.
Todos os comentários
nyma rodrigues novembro 22, 2025
Fiz a inscrição ontem, só espero que não dê tudo errado no dia da prova 😅
Alexandre Silva novembro 22, 2025
Mais um concurso temporário onde a gente estuda como se fosse pra vida toda, mas no fim o contrato vira pão duro em 12 meses. Mas enfim, se tiver que pegar tablet e andar por aí pra perguntar se a gente tem banheiro, melhor que ficar no desemprego. 🤷♂️
Gabriela Lima novembro 23, 2025
Essa é a primeira vez que vejo um concurso do IBGE com tanta clareza nas cotas e na logística de alocação. Antes, a gente ficava na mão se morava em cidade pequena, mas agora você pode fazer a prova em outro lugar e ainda escolher onde quer atuar? Isso é um avanço real. Eu moro no interior do Maranhão e não tinha como ir pra São Luís pra fazer prova, mas agora posso fazer em Imperatriz e depois pedir pra ser alocada aqui mesmo. E o salário com auxílio alimentação chega perto de 4 mil? Isso é quase um salário de técnico em enfermagem em hospital público. Não é só um emprego, é uma porta de entrada pra gente que nunca teve chance. Ainda mais sem exigir superior. Eu terminei o ensino médio em 2020 e nunca pensei que isso bastaria pra entrar no serviço público. Acho que o IBGE tá fazendo algo que o governo deveria fazer em todos os concursos.
Suellen Krieger novembro 25, 2025
E se isso tudo for só uma farsa pra controlar a população? 🤔 E se os dados que a gente coletar forem usados pra criar um sistema de vigilância? E se os tablets tiverem GPS escondido? E se o IBGE for só um disfarce do MIT? Acho que ninguém tá falando disso... mas eu vi um vídeo no TikTok que mostrou um agente com um chip no braço... 🧐
Suellen Buhler novembro 26, 2025
Mais um concurso pra enganar os pobres. Eles sabem que ninguém vai durar 4 anos nisso, só querem gente barata pra coletar dados e depois jogar no lixo. 🤬
Danilo Desiderato novembro 26, 2025
A prova é só de português informática e geografia? Tipo assim, se eu souber onde fica o Amazonas e como abrir o Excel já passo? Se for isso eu vou até de chinelo
Thiago Rodrigues novembro 28, 2025
Tem gente que acha que isso é uma oportunidade, mas na verdade é só mais um truque pra manter a população ocupada com sonhos falsos. Quem realmente quer serviço público tem que estudar pra concursos efetivos, não pra essa porcaria temporária que não vale nada.
Rosalia Celeste Silva novembro 30, 2025
E o que eu faço se eu tiver 17 anos e meio? 😏 Vou mentir a idade? Aí já tá no caminho certo né? 🤭
Gina Harla dezembro 1, 2025
Pessoal, não desanimem! Esse é o tipo de oportunidade que muda a vida. Eu fui agente em 2023 e hoje trabalho numa ONG de pesquisa social. A experiência que você ganha lá é imbatível. Você aprende a lidar com pessoas, a usar tecnologia, a se organizar... e isso vale mais que qualquer diploma. Vai lá, se inscreve, e se não passar, pelo menos você tentou. E se passar? Tá no caminho certo. 💪❤️
Vinicius Pastana dezembro 1, 2025
Acho que o mais interessante aqui não é o salário ou o contrato, mas o fato de que o IBGE está reconhecendo que a coleta de dados precisa de gente que conheça o território. Não adianta mandar um técnico de São Paulo pra coletar em uma comunidade quilombola se ele nem sabe falar o dialeto local. Essa diversidade nas contratações não é só justa, é estratégica. A estatística só é válida se ela reflete a realidade. E a realidade do Brasil é mestiça, rural, diversa. O IBGE tá fazendo o dever de casa.
aline longatte dezembro 2, 2025
E se o governo usar os dados pra cortar bolsa família? E se eles usarem as respostas pra identificar quem tá mentindo? Eu já vi um caso assim em 2021... eles usaram a pesquisa do IBGE pra cortar 3 mil benefícios por "inconsistência"... não confiem
Guilherme Silva dezembro 4, 2025
Se você tem ensino médio e sabe usar celular, já tem mais de 80% do que precisa. O resto é treino. A prova é bem direta, e os materiais de estudo antigos da FGV estão no YouTube. Não precisa gastar com cursinho. Só estude as provas de 2023 e 2024. E não esqueça de revisar geografia do Nordeste - sempre cai.
Indiara Lee dezembro 6, 2025
A institucionalização de contratos temporários de longa duração, embora aparentemente benéfica, suscita questões epistemológicas acerca da natureza da função pública no capitalismo tardio. Será que a estatística, enquanto dispositivo de poder, não se torna mais um instrumento de governamentalidade? A coleta de dados, por mais neutra que se apresente, é, em última instância, uma prática de normalização.
Catiane Raquel Sousa Fernandes dezembro 6, 2025
Ah, claro. Mais um concurso onde o salário é bom... até você descobrir que o auxílio transporte é só pra ir de casa até o ponto de coleta, e você mora a 40km do município. E aí você paga gasolina, pneu, manutenção... e no fim do mês tá no prejuízo. Mas claro, o IBGE não conta isso no edital.
Eliana Pietrobom dezembro 8, 2025
Se você não tem cursinho e não sabe o que é GRU, tá ferrado. Esses concursos são só pra quem já tem rede. Quem é pobre não tem nem tempo pra estudar, muito menos pra entender esse monte de papelada. Eles querem gente que já saiba tudo, mas fingem que é pra todo mundo.
James Chaves dezembro 8, 2025
9.590 vagas? E onde estão os brasileiros de verdade? Esses cargos vão pra quem? Vão pra quem tem internet, pra quem tem celular, pra quem sabe usar o site. E os que moram no meio do mato? E os analfabetos digitais? Isso é colonialismo disfarçado de inclusão.
Davi Amorelli dezembro 9, 2025
Se você está lendo isso e pensa em se inscrever, faça. Mesmo que não passe, o processo de estudo vai te deixar mais preparado para o próximo. E se passar? Você vai ter experiência, renda e, quem sabe, um caminho novo. Não subestime o poder de uma chance. Estude, organize seu tempo, e vá com calma. Você consegue.