O cinema brasileiro foi recentemente agraciado com a estreia do trailer de um dos filmes mais aguardados do ano, 'Ainda Estou Aqui', dirigido por Walter Salles. O longa é uma produção original da Globoplay e inspira-se no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, conhecido por sua abordagem sensível e profunda sobre temas familiares e históricos. A história central do filme gira em torno de Eunice Paiva, mãe de Marcelo, que dedicou 40 anos de sua vida na busca incansável para descobrir a verdade sobre o destino de seu marido desaparecido, Rubens Paiva.
O papel de Eunice Paiva é interpretado por duas grandes damas do cinema brasileiro, Fernanda Torres e Fernanda Montenegro, que retratam diferentes fases da vida da personagem. Essa dupla de atrizes traz um peso dramático significativo ao filme, resultando em performances que têm sido amplamente elogiadas pela crítica. Fernanda Torres, em particular, tem sido destacada por sua atuação emotiva e convincente, a ponto de já ser considerada candidata a várias premiações ao redor do mundo.
'Ainda Estou Aqui' fez sua estreia mundial no prestigiado Festival de Veneza, ocorrido no domingo, 1º de setembro de 2024. A exibição foi um sucesso estrondoso, recebendo aplausos contínuos do público por 10 minutos após o término da sessão, um sinal claro da forte conexão emocional que a história estabelece com os espectadores. O filme está na competição pelo Leão de Ouro, o prêmio mais cobiçado do festival.
A trama do filme não é apenas uma narrativa íntima sobre a busca de uma mulher por respostas, mas também um relato poderoso e emocionalmente carregado sobre os efeitos duradouros da ditadura militar no Brasil nas vidas das pessoas. Este aspecto histórico dá ao filme uma profundidade adicional, permitindo que alcance tanto audiências que vivenciaram esse período quanto novas gerações que buscam entender essa parte do passado brasileiro.
Além das performances de Fernanda Torres e Fernanda Montenegro, o elenco conta ainda com Selton Mello, que interpreta Rubens Paiva. Mello, reconhecido por sua habilidade em capturar a complexidade emocional de seus personagens, traz uma atuação tocante que complementa a intensidade dramática da narrativa central. A direção de Walter Salles, conhecido por sua meticulosidade e olhar sensível, é outro fator que eleva o filme, guiando a história com uma mão experiente e cuidadosa.
Os primeiros comentários da crítica internacional têm sido amplamente positivos, com publicações como 'Deadline' ressaltando a força do filme e a possibilidade de Fernanda Torres ser indicada para prêmios importantes. Esta recepção calorosa reflete não apenas a qualidade do elenco e da direção, mas também a relevância da temática abordada pelo filme. 'Ainda Estou Aqui' promete ser mais do que um simples entretenimento; é uma obra que convida à reflexão sobre memória, justiça e a busca pela verdade.
Nas entrevistas concedidas durante o Festival de Veneza, tanto Walter Salles quanto os principais atores destacaram a importância de trazer à tona uma história tão pessoal e, ao mesmo tempo, tão representativa de um período doloroso na história do Brasil. Eles mencionaram o cuidado ao retratar os eventos de forma respeitosa, utilizando uma narrativa que mistura memórias pessoais com uma visão crítica do contexto histórico.
A Produção e os Desafios Enfrentados
A produção de 'Ainda Estou Aqui' não foi tarefa fácil. O processo envolveu extensa pesquisa histórica para garantir a precisão dos eventos retratados. A equipe de produção consultou documentos e testemunhos da época para construir um roteiro que fosse fiel aos fatos e ao mesmo tempo capaz de envolver emocionalmente o público. Walter Salles falou sobre o desafio de equilibrar a ficção com a verdade histórica, uma tarefa que exigiu grande sensibilidade e atenção aos detalhes.
Os cenários e a direção de arte foram meticulosamente desenhados para refletir o período do regime militar no Brasil, criando uma ambientação que transporta os espectadores para a época. A escolha cuidadosa das locações e a recriação de ambientes históricos foram aspectos essenciais que contribuíram para a autenticidade do filme. A trilha sonora, composta para evocar o espírito do período, complementa a atmosfera, intensificando a imersão do público na história de Eunice Paiva.
Reações e Expectativas
Após a exibição em Veneza, as expectativas para o lançamento comercial de 'Ainda Estou Aqui' são altas. A Globoplay apostou alto na produção, investindo em uma campanha de marketing robusta que inclui trailers emocionantes, entrevistas exclusivas e pré-estreias em várias cidades brasileiras. A plataforma digital está confiante de que o filme atrairá um grande público e abrirá discussão sobre o passado político do Brasil.
Os cinéfilos brasileiros aguardam ansiosos pela estreia, que deve ocorrer no final do ano, com a expectativa de que o filme não apenas entretenha, mas também eduque e provoque reflexões profundas. Para muitos, 'Ainda Estou Aqui' representa uma rara oportunidade de ver um pedaço da história nacional contado através do olhar de cineastas e atores consagrados.
Conclusão
'Ainda Estou Aqui' é mais do que um simples filme; é uma obra de arte que traz à tona questões importantes sobre memória e justiça. A combinação de uma direção talentosa, atuações impressionantes e uma história profundamente humana garante que este filme tenha um impacto duradouro no público. As críticas positivas e a recepção calorosa no Festival de Veneza são apenas o começo para uma jornada cinematográfica que promete ressoar tanto no Brasil quanto em todo o mundo. A indústria cinematográfica nacional tem muito a esperar deste lançamento que já é considerado um marco no cinema brasileiro contemporâneo.
Todos os comentários
Mayla Souza setembro 5, 2024
Meu Deus, esse trailer me fez chorar no meio do trabalho. A forma como Fernanda Torres transmite a dor silenciosa da Eunice… é como se ela tivesse vivido cada segundo daquilo. E a cena dela segurando a carta do Rubens, com aquele silêncio atrás… me deu arrepios. Nossa, isso aqui não é só cinema, é um ato de memória. A gente cresce ouvindo falar da ditadura nos livros, mas ver uma mãe buscando o marido por 40 anos, com essa força quase sobrenatural… isso muda tudo. E a Fernanda Montenegro no final, com os olhos já cansados mas ainda cheios de esperança? Pura poesia. Não sei se vou aguentar ver isso no cinema sem desmoronar.
Se alguém tiver um tissu por perto, me avisa. Vou precisar.
Esse filme vai ser obrigatório nas escolas. Sério. Não tem como ignorar isso.
Walter Salles tá no topo. Mais uma vez.
Quem mais tá esperando o lançamento com o coração na mão?
Por favor, não deixem esse filme sumir na plataforma. Ele merece ser visto por todos.
Se alguém fizer uma exibição comunitária, me chama. Vou levar minha mãe. Ela tinha 12 anos na época. Ela vai entender.
Isso aqui é história viva, e não podemos deixar ela se apagar.
Gratidão a todos que fizeram isso existir.
Júlio Maitan setembro 5, 2024
Um exercício de hiperrealismo dramático com uma estrutura narrativa que opera sob uma lógica de afetividade hegemônica, reforçando a epistemologia da vítima como sujeito moral indiscutível. A direção de Salles, embora tecnicamente impecável, reitera um paradigma cinematográfico latino-americano que prioriza o pathos sobre a complexidade histórica. A escolha de dualizar a personagem por meio de duas Fernandas - embora simbolicamente elegante - opera como uma estratégia de commodificação emocional, reduzindo a trauma histórico a um objeto de consumo estético. A trilha sonora, por sua vez, é um exemplo clássico de manipulação auditiva, com motivos melódicos que induzem à empatia forçada. Não é arte, é terapia coletiva com orçamento de streaming.
Garota Repórter setembro 6, 2024
Vi o trailer no celular no metrô e fiquei parada por 10 minutos depois que acabou. Ninguém falou nada. Todo mundo estava igual. Silêncio total. Isso é o que o cinema deveria fazer.
Bruno Alves setembro 6, 2024
Essa produção tá no nível do que o Brasil precisa agora. Não é só sobre a ditadura, é sobre como a gente ainda não curou. A pesquisa histórica que a equipe fez é impressionante - eles foram até em arquivos da ABIN, entrevistaram filhos de desaparecidos, usaram fotos reais da casa da Eunice. A direção de arte tá tão fiel que eu quase chorei quando vi o sofá da sala, igual ao da minha avó. E a trilha? A música que toca quando ela abre a gaveta com as cartas… é a mesma que o meu pai tocava no violão. Isso aqui não é ficção. É memória. E o filme tá fazendo o que a gente não fez: lembrar com dignidade. Parabéns a toda a equipe. Esse é o tipo de cinema que vai ficar na história.
Pedro Mendes setembro 6, 2024
Fernanda Torres? Sim. Mas o filme é um drama de classe média que usa trauma político como cenário. O Rubens Paiva era comunista, aí o filme faz ele parecer um santo. E a Eunice? Virou mártir, mas na vida real ela era uma mulher de classe alta que tinha acesso a advogados e influência. Isso é romantização. O filme não quer confrontar, quer consolar. E isso é fraco.
Antonio Augusto setembro 8, 2024
esse trailer me deu um susto tipo 10/10 me deu vontade de chorar e nao consegui pq eu tava no trabalho e o chefe ta olhando kkkk mas sério q isso vai ser o filme mais importante do ano tipo nao ta nem perto de ser hype é real mesmo a fernanda torres ta arrasando e o walter salles é um gênio do cinema brasiliero e se esse filme nao ganhar o leao de ouro eu juro que eu me jogo na laguna de venezia